Dólar
R$ 4.96 Sem alteração
Euro
5.804 Sem alteração
Brasília
24°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

VIDA

Longevidade com orgulho: o Brasil precisa olhar para os idosos LGBTQIA+

Discriminação, solidão e falta de acolhimento marcam o envelhecimento de uma população resistente

O Brasil está envelhecendo. Segundo o IBGE, um em cada dez brasileiros tem 65 anos ou mais, e a expectativa de vida já passa dos 76. Mas essa trajetória não é igual para todos. Pessoas LGBTQIA+ encaram a terceira idade com desafios específicos: o preconceito acumulado, o abandono institucional e a invisibilidade social. No Mês do Orgulho, ativistas e especialistas chamam atenção para as feridas abertas que se prolongam até a velhice.

Dora Cudignola, 72 anos, se define como “idosa, lésbica e atrevida”. Ela é fundadora da associação EternamenteSOU, que acolhe idosos LGBTQIA+ em São Paulo. Dora resume bem a realidade enfrentada: a solidão é agravada pela exclusão até mesmo nos serviços de saúde. “Muitos profissionais não sabem como lidar com a gente. O SUS ainda é o melhor lugar, mas falta preparo para nos atender com respeito”, afirma.

O gerontologista Diego Felix Miguel reforça que o Estado ainda ignora essas demandas. Ele é autor de uma carta aberta pela visibilidade da velhice LGBT. Segundo ele, sem políticas públicas específicas, muitas dessas pessoas acabam voltando para o armário nas instituições de acolhimento. “Na fase final da vida, dependentes de cuidados, elas silenciam quem são para não sofrer mais”, diz.

As instituições, muitas vezes ligadas a entidades religiosas, não estão prontas. Profissionais despreparados e parentes hostis tornam o ambiente um campo de opressão. O medo de morrer só, em dor ou sendo discriminado, é comum entre idosos LGBTQIA+.

O geriatra Milton Crenitte identificou que essa população tem menor acesso à saúde, mais medo do envelhecimento e sofre com mais isolamento social. “Solidão é tão nociva quanto fumar ou ter uma doença crônica”, alerta. Cada grupo enfrenta ainda sofrimentos próprios: lésbicas realizam menos exames preventivos, homens gays lidam com a pressão estética e pessoas trans com a negação de sua existência.

Bruna Benevides, da Antra, denuncia a negligência histórica com travestis e pessoas trans. “Envelhecemos com cicatrizes, sem documentos retificados, com corpos violentados. Ainda somos tratados como descartáveis”, afirma. Para ela, não basta formar médicos: é preciso garantir escuta, protocolos e um SUS que enxergue essas vidas como dignas de cuidado.

[CUIDADOS PARA TODOS]

Grupo Desafios enfrentados na velhice
Lésbicas Menor taxa de exames preventivos, invisibilidade médica
Gays Pressão estética, sofrimento existencial, uso de anabolizantes
Pessoas trans Ausência de protocolos, abandono institucional, maior carga de doenças
Todas as letras         Solidão, baixa rede de apoio, preconceito nos serviços de saúde

Fonte: Agência Brasil

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57