O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou por uma cirurgia de pouco mais de 12 horas de duranção neste domingo (14). Ele se submeteu a uma laparotomia exploradora no Hospital DF Star, em Brasília, para tratar uma subobstrução intestinal complicação decorrente das sequelas da facada sofrida em 2018. Este é o sexto procedimento cirúrgico no abdome do ex-mandatário desde o atentado.
O procedimento foi concluído às 21h20. Bolsonaro foi levado para a UTI, mas, segundo a equipe médico, está estável e sem dor. Uma entrevista coletiva está programada para a manhã da segunda-feira (15) para que os médicos detalhem o que foi feito.
Detalhes da cirurgia:
– Objetivo: Liberar aderências intestinais e reconstruir a parede abdominal.
– Duração: Procedimento considerado “extenso” pela equipe médica, iniciado às 10h.
– Contexto clínico: Quadro persistente de dificuldade na passagem de gases e fezes, com aderências múltiplas, segundo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Bolsonaro acumula intervenções cirúrgicas desde o ataque em Juiz de Fora (MG), há seis anos. O último procedimento foi em setembro de 2023, com cirurgias digestivas e respiratórias. Desta vez, o ex-presidente foi internado após passar mal no Rio Grande do Norte, onde iniciava a “Rota 22”, projeto do PL para fortalecer a base eleitoral no Nordeste visando 2026.
No Instagram, Michelle Bolsonaro afirmou que “ele está com muitas aderências. Precisamos de orações.” Já o médico Leandro Echenique, cardiologista, explica que se trata de uma cirurgia de grande dimensão, devido às múltiplas manipulações abdominais desde 2018.
Agenda política interrompida
A cirurgia obrigou o cancelamento da “Rota 22”, que incluía visitas a três cidades potiguares e seminários para articular apoio regional ao PL. O projeto, apoiado pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), mirava criar alguma interlocução na região Nordeste, onde o presidente Lula tem amplo apoio do eleitorado.
A recuperação de Bolsonaro, que deve levar semanas, adia a estratégia do partido para as eleições de 2026 e deixa em suspenso sua capacidade de mobilizar apoiadores.
Antes da cirurgia, Bolsonaro enviou uma mensagem a parlamentares, misturando apelo religioso e defesa de pautas polêmicas:
Sobre a anistia a envolvidos no 8 de janeiro: Criticou a redução da pena de Débora Aladim (“Débora Batom”), condenada a 14 anos por atos golpistas: “Modular para 10 anos é uma brutal injustiça. Seus votos têm peso capital na eternidade.”
Repercussão e próximos passos
- Apoiadores: Realizaram vigília com orações no hospital. Bolsonaro acenou para o grupo antes da cirurgia, usando sonda nasal.
- PL: Aguarda definição sobre quem assumirá a liderança temporária da “Rota 22”. Rogério Marinho deve coordenar ações em estados próximos.
- Cenário eleitoral: A saúde frágil de Bolsonaro levanta dúvidas sobre sua capacidade de ser o principal nome da direita em 2026.
Texto editado para atualização do quadro clínico.




Deixe seu comentário