Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) alcançaram um marco histórico para a ciência nacional: o desenvolvimento de um motor de foguete inteiramente fabricado por impressão 3D metálica. O propulsor, leve e compacto (cerca de 3 kg), foi projetado para suportar condições extremas de pressão e temperatura, consolidando mais de uma década de estudos do Laboratório de Propulsão Química (LPQ) no campus do Gama.
A inovação não está apenas no funcionamento, mas na fabricação. Graças à manufatura aditiva, o que antes era um quebra-cabeça de dezenas de componentes soldados e parafusados se tornou uma peça monolítica (única). “Com essa tecnologia, foi possível substituir um conjunto complexo por uma peça produzida em dias, e não em meses”, explica o professor Olexiy Shynkarenko, coordenador do projeto.
Do Papel para o Espaço
A iniciativa nasceu para atender ao projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica), que precisava de um motor capaz de tirar o satélite de órbita e trazê-lo de volta à Terra. Mesmo com a descontinuidade do SARA em 2018, a UnB manteve o desenvolvimento, criando uma tecnologia versátil que pode ser usada em missões suborbitais e plataformas de microgravidade.
A fabricação da peça contou com a parceria do Instituto SENAI de Inovação em Joinville (SC), provando que a integração entre universidade e indústria é o caminho para a soberania.
Pioneirismo no Hemisfério Sul
A UnB não é novata no setor. Desde 1999, a universidade lidera pesquisas em propulsão híbrida no Hemisfério Sul. Em 2004, já lançava foguetes usando parafina e óxido nitroso. O novo motor impresso em 3D é a “joia da coroa” dessa trajetória, financiada pelo Programa UNIESPAÇO da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Para Paolo Gessini, diretor da AEB, o sucesso do projeto prova o valor do investimento contínuo: “Trata-se de uma tecnologia crítica. O domínio desse conhecimento é fundamental para a autonomia tecnológica do país”.
Fonte: Com informações da Agência GOV.BR




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