O ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentar dar um golpe de Estado, parece acreditar que sua cela no Complexo Penitenciário da Papuda é um anexo do Itamaraty. Nesta terça-feira (10), a defesa do golpista condenado pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para que ele receba a visita de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, subordinado do presidente Donald Trump.
A audácia do pedido esbarra em uma contradição que beira o escárnio. Os mesmos advogados que agora exigem a entrada de um emissário do governo estrangeiro já apresentaram quatro pedidos de transferência para prisão domiciliar, alegando que Bolsonaro sofre de problemas graves de saúde.
A lógica bolsonarista desafia a medicina e o bom senso: o ex-presidente estaria doente demais para cumprir sua pena em regime fechado, mas perfeitamente saudável e disposto para sediar uma cúpula “para-diplomática” dentro do 19° Batalhão da Polícia Militar.
O delírio do Itamaraty paralelo
O homem que tentou implodir a democracia brasileira agora quer despachar com um representante de um governo que apoiou abertamente a sua intentona golpista. Para o cenário ficar completo, falta só pendurar a faixa de “Conspiração 2026” na porta da penitenciária.
A petição, que agora está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, solicita que o encontro ocorra na próxima segunda (16) ou terça-feira (17), datas em que o assessor estará em visita oficial ao Brasil. Como se não bastasse a afronta de transformar a cadeia em comitê de relações internacionais, a defesa ainda exigiu a entrada de um tradutor na prisão para facilitar o diálogo.
Darren Beattie trabalha para o Departamento de Estado norte-americano e é o responsável pelos assuntos ligados ao Brasil. Resta saber o que um condenado em regime fechado por tentar abolir o Estado Democrático de Direito tem a tratar com um emissário oficial de Washington. A decisão de Moraes sobre esse delírio diplomático definirá se a Papudinha vai ou não sediar o encontro de uma aliança extremista que, mesmo atrás das grades, insiste em zombar da Justiça brasileira.




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