Se ainda restava alguma dúvida de que a atual legislatura trabalha ativamente contra os interesses da população brasileira, a aprovação do Projeto de Lei 3827/25 pela Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados encerra a discussão. Em um país que luta para reduzir a letalidade violenta, o Congresso Nacional, que já garantiu seu lugar na história como o “inimigo do povo”, decidiu que a prioridade do momento é permitir que cidadãos construam estandes de tiro particulares em seus quintais, fazendas e residências.
A proposta, de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e relatada por Rodolfo Nogueira (PL-MS), é o retrato fiel de um parlamento que legisla para lobbies e corporações, ignorando a realidade sangrenta das ruas brasileiras. Sob o pretexto falacioso da “legítima defesa” e da “segurança jurídica”, o projeto abre as portas para a criação de arsenais domésticos e centros de treinamento paramilitar sem qualquer possibilidade real de fiscalização pela Polícia Federal.
Prioridades invertidas: armas sim, livros não
A aprovação do “tiroteio no quintal” acontece no mesmo cenário legislativo que, recentemente, articulou cortes de R$ 400 milhões nas universidades públicas e ameaçou o governo com pautas-bomba de impacto bilionário. Para o pior Congresso da história, falta dinheiro para a educação e para a saúde, mas sobra empenho para garantir que o vizinho possa disparar fuzis ao lado da sua janela.
Este é o mesmo Congresso que, em sua sanha destrutiva, atacou os direitos dos povos indígenas, tentou privatizar as praias brasileiras e transformou o orçamento público em um balcão de negócios através de emendas parlamentares opacas.
? o mesmo Congresso que, em um ato de autoproteção vergonhoso, articulou a chamada “PEC da Bandidagem”. Naquela ocasião, deputados aprovaram uma lei segundo a qual não poderiam ser investigados ou processados sem autorização deles mesmos. Acabaram derrotados no Senado, depois que a população tomou as ruas revoltada.
A liberação dos estandes particulares não é um ato isolado; é parte de um pacote de desmonte do Estado e da civilidade.
A privatização da violência
O argumento do relator de que o projeto “evita interpretações arbitrárias” é uma cortina de fumaça. Na prática, a medida dificulta o trabalho das forças de segurança e facilita a vida do crime organizado. Ao permitir estandes em propriedades privadas, o Congresso cria zonas de opacidade onde milícias e grupos criminosos poderão treinar e testar armamento longe dos olhos do Estado, tudo sob o manto da legalidade.
A Polícia Federal, que já sofre com a falta de efetivo para controlar as fronteiras e o tráfico de armas, será humanamente incapaz de fiscalizar cada estande de fundo de quintal que surgirá no país. O resultado será o aumento da circulação de armas e munições, alimentando o mercado ilegal que mata, majoritariamente, a população pobre e periférica.
Um Congresso contra o Brasil
A tramitação do PL 3827/25, que agora segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é mais um capítulo na biografia de uma legislatura que flerta abertamente com o caos. Seja tentando anistiar golpistas do 8 de janeiro, seja sabotando a proteção ambiental ou agora, incentivando a militarização dos lares, os deputados da “bancada da bala” e seus aliados deixam claro a quem servem. E, definitivamente, não é ao povo brasileiro.
Fonte: Com informações da Agência Brasil




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