A justificativa apresentada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, para os R$ 430 mil em dinheiro vivo encontrados pela Polícia Federal em sua casa não é apenas frágil, é a confissão de uma operação para “esquentar” dinheiro de origem ilícita. A análise dos fatos mostra que a venda de um imóvel, usada como álibi, foi uma farsa montada às pressas depois que o dinheiro foi apreendido.
O álibi que nasceu depois do crime
O fio da meada está na cronologia. A PF bateu à porta do deputado e apreendeu a fortuna em espécie no dia 19 de dezembro. O documento que deveria provar a origem lícita do dinheiro, a escritura de venda da casa, só foi assinado em um cartório em Ituiutaba (MG) no dia 30 de dezembro, onze dias depois.
A narrativa do deputado, de que um “contrato de gaveta” existia desde novembro, desmorona diante das evidências. A própria escritura, assinada com o comprador, o advogado Thiago de Paula, contém uma série de “exceções” que cheiram a fraude:
- Pagamento em Dinheiro Vivo: A casa foi vendida por R$ 500 mil, pagos em espécie. Uma transação imobiliária desse porte, paga com dinheiro vivo, é um sinal clássico de lavagem de dinheiro.
- Dispensa de Certidões: O comprador, de forma incomum, dispensou a apresentação de certidões fiscais e criminais do deputado, abrindo mão de garantias básicas em qualquer negócio legítimo.
- Valorização Mágica: Em menos de um ano, o imóvel valorizou 78%, saltando de R$ 280 mil para R$ 500 mil. A justificativa de uma “reforma” não se sustenta sem provas robustas.
De R$ 4 mil a meio milhão em espécie
A história se torna ainda mais implausível quando se olha o patrimônio declarado de Sóstenes. Em 2022, ao registrar sua candidatura, ele declarou possuir apenas R$ 4.926,76 em contas bancárias. Meses depois, comprou um imóvel de R$ 310 mil (segundo ele) com um “empréstimo consignado” e, em seguida, o vendeu por R$ 500 mil em dinheiro vivo.
A desculpa de que “no interior, é uma transação muito comum” é um insulto à inteligência. Sóstenes não é um pequeno comerciante do interior, é o líder de um dos maiores partidos do Congresso Nacional.
A origem do dinheiro
A peça final que monta o quebra-cabeça é o motivo da visita da PF. A apreensão do dinheiro não foi um ato isolado. Ela ocorreu no âmbito de uma investigação sobre desvio de verbas da cota parlamentar através de uma empresa de locação de carros que continuava recebendo dinheiro público mesmo após ser dissolvida.
A conclusão é clara: a PF encontrou o dinheiro vivo, provavelmente fruto do esquema de desvio, e o deputado, pego no flagra, precisou montar às pressas uma operação para “esquentar” a fortuna. A venda do imóvel, com um comprador conveniente e um contrato oficializado retroativamente, foi a solução encontrada. Uma solução tão grosseira que se tornou a própria confissão do crime.
Fonte: Com informações do ICL Notícias




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