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ECONOMIA

A memória seletiva de Ibaneis: governador nega em nota o que defendeu em público

Em resposta lacônica, emedebista diz que "nunca tratou" com Vorcaro e joga responsabilidade da operação Master no colo do ex-presidente do BRB

Pressionado pela divulgação dos depoimentos que o colocam na cena do crime, o governador Ibaneis Rocha (MDB) quebrou o silêncio neste sábado (31) com uma nota oficial que aposta na amnésia coletiva. Em um texto curto e defensivo, Ibaneis afirmou que “nunca tratou com Daniel Vorcaro sobre as operações do BRB” e que todas as informações lhe chegavam exclusivamente via Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco estatal.

A nota é uma tentativa desesperada de criar um cordão sanitário jurídico. Ao eleger Paulo Henrique como o “pai da criança”, Ibaneis tenta se colocar na posição de gestor enganado. O problema é que os fatos e o arquivo público contam outra história.

O “Fiador” da Operação

A negativa de Ibaneis colide frontalmente não apenas com o depoimento de Vorcaro (que garantiu à PF ter discutido a venda pessoalmente com o governador), mas com a própria postura pública do emedebista durante o escândalo.

Não foi um “governador ausente” que foi à imprensa criticar o Banco Central por travar a fusão BRB-Master. Foi Ibaneis quem, diversas vezes, garantiu a solidez do negócio e chegou a colocar o Tesouro do Distrito Federal à disposição para cobrir eventuais rombos, tratando a aquisição de um banco quebrado como “estratégica” para Brasília.

A Terceirização da Culpa

A nota de hoje revela o modus operandi da defesa: sacrificar o peão para salvar o rei. Paulo Henrique Costa, antes celebrado por Ibaneis como o executivo que “modernizou” o BRB, agora é atirado aos leões como o único responsável por ter comprado R$ 12 bilhões em carteiras podres de um banco que tinha apenas R$ 4 milhões em caixa.

A tese de Ibaneis é que ele, um advogado experiente e governador centralizador, teria sido um mero espectador passivo na maior operação financeira da história do DF. Uma versão que, diante do tamanho do rombo e da intimidade do poder em Brasília, exige muita fé para ser comprada.

Um Banco de Papel

A gravidade da negociação política se torna ainda maior diante dos números revelados pelo Banco Central. Antes de ser liquidado, o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa — um valor irrisório para uma instituição que declarava R$ 80 bilhões em ativos.

Na prática, Ibaneis estaria negociando a compra de um banco que já estava tecnicamente quebrado, colocando o patrimônio do BRB (e dos brasilienses) em risco para salvar o negócio de Vorcaro.

A Conta Chegou

Enquanto os políticos divergem, a conta sobra para o mercado. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que fazer uma chamada de capital extra nos grandes bancos para cobrir o rombo estimado em R$ 47 bilhões (somando Master e Will Bank).

Além disso, 18 fundos de pensão de servidores públicos (RPPS) descobriram que seus investimentos de R$ 1,86 bilhão no Master viraram pó, já que não possuem cobertura do FGC.

Novos Personagens

A investigação também atingiu celebridades e herdeiros. O empresário Roberto Justus declarou-se “surpreso” ao descobrir que o Master era sócio oculto de sua empresa, a Steelcorp. Já os filhos de João Carlos Mansur (dono da Reag) foram identificados como beneficiários de fundos que movimentaram R$ 1,45 bilhão desviados do esquema.

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