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Não tem por que Fux atravessar o samba do processo contra os golpistas

Em setembro de 2021, Fux comandava a resistência, à tentativa de invasão à sede do STF. Contratou snipers, atiradores de elite, e os plantou na laje do Supremo

O ministro Fux ameaça desafinar a sinfonia jurídica que se constrói para o julgamento de Jair Bolsonaro e dos golpistas que o cercaram no governo e nas Forças Armadas. O podcast “Os Golpes do Bufão”, em fase final de edição, trará as provas em áudio, saídas da boca dos próprios golpistas, do crime continuado de golpe de Estado que se deu em oito de janeiro de 2023. Ele começou em março de 2021, exatamente na metade do mandato de Jair Bolsonaro na presidência.

Neste último domingo, em sua coluna publicada nos jornais O Globo e Folha de São Paulo, o jornalista Erio Gasparin escreveu que o ministro Luis Fux tende a pedir vistas do relatório do colega Alexandre de Moraes, no julgamento da ação penal que deverá sentenciar por tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito, por golpe de Estado e por dano ao patrimônio público, o ex-presidente Jair Bolsonaro, os generais Walter Braga Neto, Augusto Heleno e Mário Fernandes e o almirante Almir Garnier, além dos delegados federais Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, e Alexandre Ramagem, deputado e ex-presidente da Abin.

A ação penal deve entrar na pauta da primeira turma do STF depois do dia oito de setembro. Logo depois da efeméride de sete de setembro. Fux é integrante da primeira turma. Em 2021, justamente na véspera do sete de setembro daquele ano, quando Bolsonaro tentou, pela primeira vez, testar as instituições democráticas e republicanas brasileiras, ele era o presidente do Supremo Tribunal Federal e sentiu na pele os laivos ditatoriais e autocráticos do então presidente, dos seus generais golpistas, sobretudo de Braga Neto, que era ministro da Defesa, e dos bolsonaristas em transe, crendo ser fácil consumar um golpe de Estado contra a democracia brasileira, arduamente restaurada.

Na noite de seis de setembro de 2021, Fux comandava a resistência, à tentativa de invasão à sede do STF, de dentro do prédio. Ele contratou snipers, atiradores de elite, e os plantou na laje do Supremo. Depois ligou para Braga Neto e para o general Ival Matsuda, então comandante militar do Planalto, e avisou que não pediria uma GLO, a famigerada Garantia da Lei e da Ordem, para proteger o prédio e ordenaria que os atiradores abrissem fogo contra a turba de bolsonaristas. Braga Neto perguntou ao então procurador-geral Augusto Aras se Fux podia fazer aquilo. “Pode e deve”, respondeu Aras.

Essa história estará muito bem documentada em “Os Golpes do Bufão”, reportagem em podcast que terá seu episódio zero lançado no dia vinte e cinco de agosto, chamando todos para escutarem os quatro episódios seguintes que irão ao ar diariamente, entre primeiro de setembro e quatro de setembro, próximos, no Spotify, no Deezer, na Apple e no YouTube. E essa é apenas uma das histórias reconstituídas lá dentro no podcast, muitas delas com áudios originais, que provarão cabalmente que o oito de janeiro de 2023 foi não apenas consequência do transe enlouquecido em que Bolsonaro e seus jagunços lançaram o país. Foi um golpe continuado entre março de 2021 e a fuga do ex-presidente no dia 30 de dezembro de 2022, quando ele foi para Orlando, nos Estados Unidos, para fugir daquilo que sabia que aconteceria no dia oito de janeiro.

Fux foi também o único dos ministros da primeira turma que acompanharam a audiência de instrução processual, junto com o ministro relator da ação penal, Alexandre de Moraes, quando Bolsonaro, os generais e o almirante golpista e o delator, coronel Mauro Cid, depuseram em juízo. Luiz Fux tirou suas dúvidas processuais ali, diretamente. Viveu a situação paradigmática de 2021, diretamente. Por que então Fux pediria vistas do julgamento, como escreveu Gaspari? Apenas para retardar a punição ao ex-presidente golpista e a seus jagunços? Ao braço armado golpista que ele plantou no governo? Não acredito na assertividade da informação de Élio. Creio que ele, apesar de toda a experiência longa que tem, foi enrolado por embargos auriculares de algum advogado de defesa dos réus da primeira turma. Em “Os Golpes do Bufão”, as provas virão à tona, são chocantes.

E minhas amigas e meus amigos ouvintes que chegaram até aqui e que têm acompanhado essas análises políticas, nós, a Plataforma Brasília e a Tímpano Produções, o estúdio onde gravamos, editamos e mixamos nossas reportagens em podcast, precisamos da ajuda de vocês para financiar esse projeto. Ele está sendo executado, está na fase final da linha de montagem. Tivemos ajuda de muita gente que atendeu aos nossos apelos de participação, na primeira rodada de pedidos de autofinanciamento. E eu renovo aqui. Quem puder, por favor, aposte nessa ideia. Ajude-nos a fazer jornalismo de qualidade em podcast.

Qualquer valor é bem-vindo, qualquer valor mesmo. O endereço do Pix é [email protected]. Está aí embaixo: [email protected]. O que financia jornalismo de qualidade é a aposta do nosso consumidor no resultado final de nossa entrega. Provamos em “A Guerra dos Collor”, a primeira temporada do podcast “Trapaça”, que entregamos qualidade. “Os Golpes do Bufão” vão surpreender você com o conjunto da obra golpista. É espantoso.

E, mais uma vez, confirmará o que digo desde a noite do impeachment de Fernando Collor, quando celebrava a votação da Câmara autorizando o processo e assisti ao telejornal da madrugada da Rede Globo. A vida editada faz muito sentido. A gente vê, a partir da edição, o que deixamos de ver quando tudo estava acontecendo. É o caso de “Os Golpes do Bufão”. A edição de tudo que vivemos, num podcast de quatro episódios, conferirá ao tribunal que julgará os golpistas a certeza da culpa deles e a necessidade da sentença. É isso, obrigado, boa semana, colabore conosco. Obrigado.


Texto publicado simultaneamente na Plataforma Brasíla

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