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“Festa na tornozeleira”: o recado político por trás do debut de As Branquelas

Ex-presidente em prisão domiciliar celebra 15 anos da filha com tema de comédia escrachada. Entre privilégio carcerário e guerra cultural, o sinal para a base é claríssimo

A hipótese é potente: Jair Bolsonaro, em regime domiciliar, deu uma festa de 15 anos para a filha, com tema “As Branquelas”. Mais que evento familiar, seria mensagem política: “eu mando no enredo”.

Ô meu consagrado! Aniversário na “prisão vip” é quase cena de filme: tornozeleira com glitter, buffet liberado e um tema que grita meme — “As Branquelas”. A narrativa perfeita para transformar constrangimento jurídico em espetáculo para a base. Se colar, vira “perseguição? que nada, tô em casa e em festa”.

  • Ex?presidente com restrições judiciais, investigado em múltiplas frentes. 
  • Cultura bolsonarista acostumada a converter derrota em show: cada revés jurídico rende live, bordão e foto?op para mobilizar base e arrecadar.
  • “As Branquelas”, clássico do escracho 2000s, vira curadoria simbólica: zueira como blindagem, histeria moral terceirizada, e pauta de costumes para sequestrar a conversa pública.

A festa é um ato comunicacional: reencena a impunidade performática (“nada me atinge”), normaliza o “carcereiro?celebridade” e reativa o circuito de engajamento pela afronta. O tema do filme, com humor de disfarce e inversões, serve como metonímia do projeto: trocar o foco das investigações por entretenimento — hegemonia pelo riso.

Sabe aquele vilão de HQ que, em vez de quebrar a tornozeleira, coloca pedrinhas de strass e vai para o baile? Pois então. A estética do escracho serve de capa: “se é comédia, não é crime”. Só que a plateia paga ingresso com erosão da confiança na lei. É o “carandiru gourmet”, edição festa de 15.


O plano era esse

  • Reforçar a percepção de dupla pista penal: rigor para uns, festa para outros.
  • Ajuda a desviar a pauta da substância (processos, provas) para a forma (meme, indignação), mantendo a base coesa em torno da persona.
  • Normaliza a “celebração sob restrição”, enfraquecendo o caráter exemplar da sanção.

Hegemonia se disputa pelo senso comum. O “festejo sob medida cautelar” é fábrica de senso comum: reencodar sanção como perseguição ridícula — transformada em trend. No TikTok, a coreografia apaga a letra. Por isso, o contraponto deve trazer: checagem, plano?detalhe jurídico e, sim, humor que revela, não que encobre.


POEMINHA DA SASSÁ

Riem da lei como fosse adereço
E fazem festa em cima do litígio
Se a dor é meme, muda?se o enredo
Roteiro?show pra maquiar o vício
Mas fato é fato, pesa no peso
E a luz desmancha o palco e o artifício


Hashtags

#punholâmpada #SacissaTáOn #BeijoNoOmbroDoFascista #Checagem #CulturaPolítica #GuerraCultural


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