No feed: “China comunista, povo passando fome!”. Na agenda oficial: missão para “parcerias estratégicas” em mobilidade, tecnologia e negócios. A retórica é de guerra cultural; a prática, de shopping center.
Ô meu consagrado! No microfone, a extrema direita vende pânico vermelho; no embarque, comitiva rumo a Pequim. Chamam isso de “pragmatismo”. Eu chamo de hipocrisia com escala internacional.
Contexto: como chegamos aqui
- A secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo, Angela Gandra (perfil conservador, ex?gestão Bolsonaro), cumpre missão na China para “atrair investimentos” e “fortalecer parcerias” em tecnologia, sustentabilidade, mobilidade e segurança pública.
- Em paralelo, o Governo do Estado de São Paulo (gestão Tarcísio de Freitas) realizou missão oficial à Ásia em 2025, com agenda voltada a infraestrutura e mobilidade incluindo China.
- O discurso público de influenciadores e políticos da direita brasileira há anos demoniza a China como ameaça “comunista”, mas na prática a parceria econômica segue como prioridade especialmente em cadeias industriais, mobilidade elétrica e financiamento de infraestrutura.
Tese
A direita que performa guerra fria no palanque mantém relações comerciais e diplomáticas ativas com a China quando o assunto é dinheiro, tecnologia e obras. O fosso entre o que dizem e o que fazem serve para mobilizar a base conservadora, enquanto, sem holofote, fazem fila no balcão chinês. Não é pragmatismo: é propaganda para dentro e negócios para poucos.
Desmontagem
Sabe aquele meme do “não gosto da China” e, na sequência, “bom dia, Pequim!”? Pois é. A guerra cultural é o cosplay; o contrato é a vida real. É como o vilão de HQ que jura destruir a “ideologia do bambu”, mas encomenda ônibus elétrico “made in panda”. No fim, quem come pastel de vento é o eleitor, alimentado por manchete inflamável enquanto a comitiva bate carimbo no passaporte.
Hegemonia é isso: controlar o senso comum definindo o “nós” e o “eles”. Nas redes, a moldura “China = ameaça comunista” mobiliza a tropa e dá engajamento. No backoffice, prevalece a hegemonia real do capital cadeias produtivas, financiamento, tecnologia. O pulo do gato é disputar o enquadramento: cobrar coerência com dados, expor custos e resultados, e virar case de política pública não figurino de guerra cultural.
Bora pra cima
- Pressione educadamente por transparência: peça publicação de custos, agendas, minutas de MoUs e salvaguardas de dados das missões (Prefeitura e Governo do Estado).
- Exija metas mensuráveis: quantos ônibus elétricos? Quais prazos? Qual redução de emissão/congestionamento? Quem fiscaliza?
- Compartilhe este texto com comitês de bairro, conselhos participativos e entidades setoriais; protocole pedidos via LAI (municipal e estadual) com perguntas objetivas.
- Monitore a coerência: quem demoniza nas lives e negocia nos bastidores deve explicações públicas.
POEMINHA DA SASSÁ
Grita “vermelho!” pra inflar a plateia
E embarca quieto, visto de turista
Na praça, excita a turba e a correia
No off, consulta o mapa, realista
Se o jogo é claro, cai a alcateia
E a luz revela a farsa oportunista
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