A blindagem política do governador Ibaneis Rocha (MDB) no escândalo do Banco de Brasília (BRB) ruiu de vez nesta quarta-feira. Em depoimento explosivo à Polícia Federal, revelado após a retirada do sigilo imposto pelo ministro Dias Toffoli, Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, confirmou ter se reunido pessoalmente com o chefe do Executivo do Distrito Federal, derrubando a tese de que Ibaneis desconhecia as tratativas que geraram um rombo bilionário no banco estatal.
Mas a gravidade do caso ganhou contornos de fraude explícita com uma nova revelação. Segundo reportagem do UOL, entre os ativos “podres” entregues pelo Master ao BRB para cobrir o buraco, está um terreno em Minas Gerais com valor inflado em mais de 400%.
A mágica dos números (e o prejuízo real)
A apuração do UOL detalha a manobra: o Banco Master adquiriu um terreno por R$ 22 milhões. Pouco tempo depois, repassou esse mesmo imóvel ao BRB atribuindo-lhe o valor de R$ 118 milhões.
Como se a supervalorização contábil não bastasse, o ativo é um “mico” jurídico: trata-se de um loteamento embargado pela prefeitura local devido a irregularidades ambientais. Ou seja, a gestão do BRB, nomeada por Ibaneis, aceitou trocar dinheiro público por um terreno impedido de ser construído e com preço anabolizado em cinco vezes o seu valor real.
A digital do governador
A confirmação do encontro presencial entre Vorcaro e Ibaneis conecta o Palácio do Buriti diretamente ao desastre. A admissão do banqueiro sugere que a operação para salvar o Master usando o caixa do BRB teve aval político. Resta explicar como um negócio envolvendo ativos tão tóxicos como o terreno embargado revelado pelo UOL passou pelos filtros de compliance do banco estatal sem o conhecimento do controlador.
Acareação e contradições
Na acareação feita pela PF, a tensão explodiu. Vorcaro e Paulo Henrique Costa ex-presidente do BRB e homem de confiança de Ibaneis entraram em contradição sobre a origem e a negociação dos ativos. Costa não conseguiu justificar tecnicamente por que o banco aceitou garantias tão frágeis.
Com o Banco Central exigindo provisionamento de até R$ 5 bilhões para cobrir o prejuízo, a conta dessa “engenharia financeira” vai sobrar para o contribuinte do DF, que terá de cobrir o rombo deixado pela gestão Ibaneis.
Fonte: Com informações da Agência Brasil




Deixe seu comentário