O Banco Central (BC) decretou, nesta terça-feira (18), a liquidação extrajudicial do Banco Master e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários. A medida ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero para desarticular um esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional que pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, foi preso no Aeroporto de Guarulhos (SP) ao tentar deixar o país.
A operação, realizada em conjunto com o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), cumpre cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal. Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em depoimento a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie na residência de um único investigado.
As investigações, iniciadas em 2024 a pedido do Ministério Público Federal (MPF), apuram a emissão de títulos de crédito falsos. De acordo com a PF, as instituições financeiras criavam carteiras de crédito fraudulentas, simulando empréstimos, e as negociavam com outros bancos. Após a aprovação contábil pelo Banco Central, esses títulos eram substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica.
Liquidação e bens bloqueados
Em comunicado oficial, o Banco Central nomeou a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas como liquidante extrajudicial, concedendo-lhe amplos poderes de administração. Eduardo Felix Bianchini foi designado como responsável técnico pelo processo.
A autoridade monetária também tornou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores do grupo. Entre os controladores afetados estão a Master Holding Financeira S.A., a 133 Investimentos e Participações Ltda, Armando Miguel Gallo Neto, Daniel Bueno Vorcaro e Felipe Wallace Simonsen. Os ex-administradores com bens bloqueados são Angelo Antonio Ribeiro da Silva, José Ricardo de Queiroz Pereira, Luiz Antonio Bull, Reinaldo Hossepian Salles Lima e Vinicius da Silva Pinto.
Outros envolvidos e contexto
A operação também investiga o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo Garcia Júnior, que foram afastados de seus cargos. Em nota, o BRB afirmou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando, regularmente, informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central sobre todas as operações”.
A prisão de Vorcaro e a liquidação do banco ocorrem um dia após o grupo Fictor, de investimentos e gestão de empresas, anunciar um acordo para a compra do Banco Master, negociação que agora foi interrompida. O Master já era observado pelo mercado por sua política agressiva de captação, oferecendo rendimentos de até 140% do CDI, acima da média para instituições de seu porte.
O comunicado divulgado pelo BC decretou como indisponíveis os bens de controladores e ex-administradores do grupo.
São eles:
Controladores
– Master Holding Financeira S.A., CNPJ 54.331.263/0001-02
– 133 Investimentos e Participações Ltda, CNPJ 31.093.039/0001-24
– Armando Miguel Gallo Neto, CPF 128.207.668-03
– Daniel Bueno Vorcaro, CPF 062.098.326-44
– Felipe Wallace Simonsen, CPF 180.471.708-80
Ex-administradores
Angelo Antonio Ribeiro da Silva CPF 013.529.807-54
José Ricardo de Queiroz Pereira, CPF 866.978.117-49
Luiz Antonio Bull, CPF 964.812.268-72
Reinaldo Hossepian Salles Lima, CPF 022.622.048-61
Vinicius da Silva Pinto, CPF 315.706.708-70




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