O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump declarou neste sábado (7) que sua relação com Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX, chegou ao fim e prometeu “consequências sérias” caso o bilionário financie candidatos democratas contrários à sua agenda. O estopim do rompimento foi a oposição pública de Musk ao projeto de corte de impostos proposto por Trump, que classificou a iniciativa como uma “abominação nojenta”.
A fala foi dada em entrevista à emissora NBC News, na qual Trump, sem apresentar detalhes, afirmou que ainda não discutiu a possibilidade de abrir investigações formais contra Musk, mas que a ruptura é definitiva. “Presumo que sim”, disse ao ser questionado sobre o fim da relação. “Não tenho desejo de reparar isso.”
O conflito escancara o choque de interesses entre o ex-presidente republicano e um dos maiores nomes do setor tecnológico dos EUA. Musk, que chegou a ser conselheiro de Trump em seu primeiro mandato, rompeu com o republicano após discordâncias sobre meio ambiente, políticas públicas e, agora, a nova proposta fiscal estimada por analistas independentes como um impacto de US$ 2,4 trilhões na dívida pública ao longo de 10 anos.
Ameaças, retaliações e silêncio sobre investigações
Trump sinalizou que pode pressionar pela revisão de contratos federais com empresas de Musk, como a SpaceX, que fornece serviços estratégicos ao governo norte-americano. “Se ele cruzar a linha, vai ter consequências sérias”, afirmou. A aliados, Trump tem dito que não perdoará “traições”, e que não aceitará empresários “sabotar sua agenda econômica”.
A retaliação de Trump vem após a exclusão de postagens de Musk que criticavam o ex-presidente. Entre elas, mensagens que sugeriam apoio ao impeachment. Apesar disso, interlocutores de Musk afirmam que ele tenta esfriar o embate e não descarta reaproximação futura, diante da relevância política e econômica de Trump, que lidera as prévias republicanas para as eleições de 2024.
Como isso impacta o Brasil?
A tensão entre os dois bilionários tem repercussões globais, especialmente em países como o Brasil, onde plataformas controladas por Musk, como o X (antigo Twitter), vêm sendo usadas em campanhas coordenadas contra o Supremo Tribunal Federal e o governo Lula. O ex-presidente Jair Bolsonaro é apoiador de Trump e tem defendido Musk publicamente, inclusive tentando envolver o empresário em disputas judiciais brasileiras.
A possibilidade de Trump tentar interferir nos contratos de Musk pode afetar a política de neutralidade tecnológica das plataformas. Isso levanta o alerta sobre o uso de redes sociais para desinformação, já que parte dos grupos bolsonaristas aposta na blindagem institucional do X para espalhar ataques ao sistema eleitoral e ao Judiciário brasileiro.
[Trump x Musk e os impactos no Brasil]
| Tema | Estados Unidos | Brasil |
|---|---|---|
| Conflito entre poder político e big tech | Trump ameaça contratos de Musk após críticas | STF enfrenta resistência de Musk à regulação de conteúdo |
| Propostas fiscais polêmicas | Projeto de corte de impostos pode aumentar dívida pública | Debate sobre responsabilidade fiscal no arcabouço brasileiro |
| Uso político de plataformas digitais | Musk acusado de favorecer desinformação de aliados de Trump | X abriga contas bolsonaristas que atacam o Judiciário |
| Papel do empresariado na democracia | Tensão entre liberdade empresarial e lealdade política | Debate sobre regulação de redes e big techs em curso no Congresso |




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