A expressão “flooding the zone” (inundar a área) descreve uma tática de comunicação usada por líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro. Ela consiste em lançar uma enxurrada de anúncios, decretos e declarações polêmicas para saturar a mídia e confundir a oposição. O objetivo é criar um ambiente de caos onde fica difícil distinguir o que é relevante do que é mera distração.
No Brasil, Bolsonaro aplicou essa estratégia com maestria. Seu governo inundou o noticiário com medidas sensacionalistas, enquanto avançava uma agenda de reformas trabalhistas, previdenciárias e privatizações. Declarações misóginas, homofóbicas e racistas dominavam as redes sociais, enquanto a esquerda e a mídia lutavam para reagir a tantos absurdos simultâneos. Apesar disso, nem Bolsonaro nem Trump conseguiram se reeleger, pois não resolveram problemas concretos da população, como o desemprego e a inflação.
A “orquestra trumpiana” é um exemplo claro dessa tática. Desde sua posse, Trump assinou decretos polêmicos, como a saída dos EUA do Acordo de Paris e da Organização Mundial da Saúde, enquanto fazia propostas absurdas, como comprar a Groenlândia ou mudar o nome do Golfo do México. Cada anúncio, viável ou não, servia para distrair a mídia e a oposição, dificultando a construção de uma narrativa crítica.
Steve Bannon, estrategista de Trump e articulador da comunicação bolsonarista, resume bem a estratégia: “O partido de oposição é a mídia. Eles são burros e preguiçosos e só conseguem focar em uma coisa de cada vez. Inundamos o terreno com três coisas diferentes por dia. Eles mordem uma, e nós fazemos o que queremos”.
Resistência Democrática
A tática de “flooding the zone” tem consequências graves. A mídia fica saturada, a oposição perde o foco, e questões importantes são ofuscadas por polêmicas irrelevantes. No entanto, a resistência é possível. Durante o governo Bolsonaro, a denúncia do desemprego, da estagnação econômica e do preço dos combustíveis ajudou a desmascarar o diversionismo. Nos EUA, a falta de resultados concretos de Trump, como a promessa de trazer empregos de volta, também pesou na avaliação de seu governo.
Para neutralizar essa estratégia, é essencial manter o foco nas questões que realmente impactam a vida das pessoas. A oposição e a mídia devem priorizar debates sobre saúde, educação, segurança e economia, utilizando ferramentas de fact-checking para diferenciar o sinal do ruído. Além disso, a comunicação precisa ser coordenada e unificada, com partidos e lideranças trabalhando juntos para contrapor os anúncios bombásticos com dados e iniciativas concretas.
A longo prazo, a educação midiática é fundamental. No Brasil, a exposição a fake news e golpes financeiros forçou parte da população a aprender a distinguir informações falsas. Programas de alfabetização midiática, promovidos por governos e sociedade civil, podem ajudar a fortalecer essa consciência crítica.
Por fim, é preciso defender as instituições democráticas. No Brasil, o Legislativo e o Judiciário foram essenciais para barrar as iniciativas mais perigosas de Bolsonaro. Nos EUA, a volta de Trump ao poder revela a fragilidade das instituições, que precisam ser reforçadas. A cooperação internacional também é crucial para criar um ambiente global que penalize táticas de desinformação.
A estratégia de “flooding the zone” é uma arma poderosa da extrema direita, mas não é invencível. Com foco, transparência e mobilização, é possível resistir ao caos informacional e garantir que as questões de verdade e relevância continuem a nortear o debate político.
Fonte: Portal Vermelho




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